Senadores da ala governista acabam de confirmar Carlos Minc como novo ministro do meio ambiente. Segundo eles, Minc aceitou o convite do presidente Lula de substituir Marina Silva na pasta. Lula disse que conversará com Minc ainda esta tarde.
Outro cotado para o cargo, o ex-governador do Acre, Jorge Viana, esteve em reunião com o presidente nesta manhã e teria recusado o convite. Segundo Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra - Amazonia Brasileira, "Minc é experiente e qualificado, mas o problema é a política do governo em geral. Ele não vai ser o 'selo verde' que a Marina foi, pois não é conhecido fora do Rio".
Smeraldi considera que o novo ministro do Meio Ambiente tem dois grandes desafios: "o primeiro é trabalhar num governo no qual meio ambiente é empecilho, não é um capital para o desenvolvimento. O segundo é atender a expectativa do chefe [o presidente] de ter alguém que sirva de imagem internacional, que é a principal preocupação dele [Lula]".
Em depoimentos à imprensa, Lula disse que a Amazônia continua sendo prioridade para o governo. Já para Smeraldi o tema não poderia ser deixado mais de lado do que já está atualmente. "Desenvolvimento regional é um conceito que já morreu neste governo", afirma.
Disse-não-disse Após a demissão de Marina Silva com caráter irrevogável, o nome do petista Jorge Viana foi o primeiro apontado para uma possível sucessão, seguido pelo então secretário de Meio Ambiente do Estado do Rio, Carlos Minc.
De Paris, Minc disse à Globo News ter prometido ao governador do estado, Sérgio Cabral que não iria para Brasília. Em depoimento nesta manhã, Sergio Cabral disse a jornalistas que não acredita que Minc teria levado a sério a brincadeira.
Novo ministro Carlos Minc Baumfeld nasceu em 12 de julho de 1951 e tem atuado na política brasileira pelo PT do Rio de Janeiro, defendendo os direitos de cidadania, da mulher, das minoriais homossexuais e do meio ambiente.
Aos 18 anos, cursando o Colégio de Aplicação da UFRJ, foi vice-presidente da AMES (Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas), cargo de liderança no meio estudantil em plena ditadura militar.
Em 1978, Minc terminou o curso de mestrado em Planejamento Urbano e Regional, pela Universidade Técnica de Lisboa. Doutorou-se em Economia do Desenvolvimento na Universidade de Paris, em 1984.
Foi membro-fundador do Partido Verde, juntamente com Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, tendo sido eleito deputado estadual do RJ em 1986 e reeleito, já no PT, em 1990, 1994, 1998, 2002 e 2006 quando obteve a sua votação mais expressiva de todos os tempos.
É autor de inúmeras leis aprovadas pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, das quais muitas são voltadas para a defesa do meio ambiente enquanto outras têm mais a ver com a cidadania. Recebeu o Prêmio Global 500, concedido pela ONU às pessoas que se destacaram na defesa do meio ambiente em âmbito mundial.
Antes de aceitar o convite de ministro, feito pelo presidente Lula, Minc exercia o cargo de secretário estadual do meio ambiente no Rio de Janeiro.
Declaração de Marina
Após enviar seu pedido de demissão em caráter irrevogável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marina Silva enviou uma carta a órgãos do governo comunicando sua opção de deixar a função de Ministra do Meio Ambiente.
Na carta, Marina agradece a colaboração de todos e diz estar fechando um ciclo no qual enfrentou muitas dificuldades, mas também colheu resultados gratificantes.
Ao final, Marina afirma que voltará ao Congresso Nacional. "Continuaremos em contato, agora que voltarei ao Congresso Nacional, na busca da sustentabilidade política fundamental para consolidação da agenda de desenvolvimento sustentável", afirma em sua carta.
O documento foi encaminhado aos servidores do Ministério do Meio Ambiente, Ibama, Instituto Chico Mendes, Agência Nacional de Águas, Serviço Florestal Brasileiro e Jardim Botânico.
Veja na íntegra a carta divulga pelo Instituto Chico Mendes.
Aldrey Riechel e Thais Iervolino, Amazonia.org.br
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