rss feed
home
quem somos
portfolio
notícias
contato

notícias

29/08/08   Promessas transgênicas

A repórter Isabel Dias de Aguiar, da Gazeta Mercantil, viajou para os EUA a convite da Monsanto para participar do Farm Progress Show, uma feira para exposição de inovações agrícolas.

Em sua matéria publicada em 27 de agosto, intitulada "Promessas que não foram cumpridas", ela revela que "oferecer plantas com as características sonhadas pelos produtores agrícolas, como resistência a insetos e à seca, que não agridam o meio ambiente e ainda, que contenham ingredientes que auxiliem a saúde da população é um promessa não cumprida pelas empresas de biotecnologia".

Segundo a jornalista, entre as novas promessas da Monsanto apresentadas na feira está uma variedade de soja cujo óleo contenha 20% de ômega 3, substância que preserva o sistema circulatório e retarda os malefícios do envelhecimento. Além de ômega 3, a Monsanto sonha reduzir o teor de gordura saturada do óleo de soja: torná-lo equivalente ao da canola (neste caso sem o uso da transgenia). Bem, promessas...

De fato, desde que os primeiros transgênicos foram liberados, há cerca de 12 anos, nenhuma grande novidade apareceu no mercado. Cerca de 70% dos transgênicos comercializados atualmente são do tipo tolerante à aplicação de herbicida, popularmente chamadas de RR (aplica-se o herbicida sobre a lavoura, eliminando-se o mato mas deixando a lavoura intacta), 20% são plantas inseticidas, popularmente chamadas de Bt (as lagartas morrem após se alimentarem da planta) e o restante combina as duas características anteriores.

Plantas mais nutritivas, plantas tolerantes à seca ou a solos salinos, entre tantas outras promessas da biotecnologia, estão ainda no discurso das empresas e na imaginação dos agricultores.

Como se não bastasse, mesmo as plantas que estão no mercado, anunciadas como maravilhas da modernidade, têm deixado os agricultores decepcionados (desconsiderando-se aqui a questão dos riscos para a saúde e o meio ambiente). Elas são, via de regra, menos produtivas que as similares convencionais. Além disso, as características nelas introduzidas estão muito rapidamente perdendo a disputa com a natureza: já estão catalogadas 13 plantas espontâneas que desenvolveram resistência aos herbicidas usados nas plantas RR. Isso tem diminuído a eficiência das lavouras transgênicas e levado os agricultores a usar venenos antigos e muito mais tóxicos. O mesmo se dá com as plantas Bt: os insetos rapidamente desenvolvem resistência à toxina das plantas transgênicas e não mais são controlados, anulando assim qualquer vantagem deste sistema de cultivo.

Com efeito, como divulgamos no último Boletim, o presidente da Câmara Setorial do Algodão (órgão consultivo do governo federal) e vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Sérgio De Marco, avalia que a recente aprovação do algodão transgênico da Bayer não deve trazer grande impacto na produção mato-grossense. Para De Marco, o algodão transgênico da Monsanto, aprovado em 2005 com base na política do fato consumado, acabou não se mostrando economicamente tão interessante, tanto que não ocupa nem 10% da área plantada de algodão no Mato Grosso.

E nem estamos falando do problema da contaminação das lavouras não transgênicas, que tem causado enormes prejuízos sobretudo a produtores orgânicos.

Na verdade, esta tecnologia veio para resolver problemas das empresas, e não dos agricultores ou do meio ambiente.

É para disfarçar esta realidade que a Monsanto investe tanto em marketing. A última novidade é o "prêmio agroambiental Monsanto". Segundo a empresa, "um incentivo à criatividade e ao conhecimento para o desenvolvimento de uma agricultura mais sustentável".

A empresa que se recusa a fazer estudos de impacto ambiental de seus produtos, bloqueia de todas as maneiras a realização de estudos para avaliar os riscos dos transgênicos que produz, pratica dumping, monopólio, provoca a dependência dos agricultores através de patentes e royalties, intimida agricultores com processos judiciais desonestos... sim, esta empresa promove iniciativas para o desenvolvimento de uma agricultura mais sustentável. Tem sido mesmo assim: quanto mais a empresa degrada, polui e gera injustiças sociais, mais ela investe em marketing institucional.

Enfim, promessas...

Campanha por um Brasil livre de transgênicos 

< voltar