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30/01/08   Entidades discutem educação no mundo com relator da ONU

Mais de 60 pessoas acompanharam atividade do dia de Ação Global do Fórum Social Mundial, em SP. Vernor Muñoz recebeu de entidades um dossiê sobre a violação da liberdade de expressão dos profissionais da educação. Mais de 60 pessoas participaram do evento "A Educação no Mundo: um balanço", no último sábado (26), durante o dia de Ação Global do Fórum Social Mundial, em São Paulo. Vernor Muñoz, relator especial da ONU para o direito à educação, falou aos presentes sobre seu trabalho e recebeu de entidades um dossiê sobre a violação da liberdade de expressão dos profissionais da educação.

No debate, Camilla Croso, da Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação, apresentou dados do relatório "Sem Desculpas" da Campanha Global pela Educação – que analisa o estado da educação em 178 países. Fátima Silva, da Internacional da Educação para a América Latina, e Carlos Ramires, do sindicato dos professores do Estado de São Paulo (Apeoesp), falaram sobre a condição dos docentes.

O relatório "Sem Desculpas" foi lançado 8 anos depois da reunião de Dakar, quando 155 países firmaram as metas e as estratégias para atingir, até 2015, a Educação para Todos. Segundo Camilla, o relatório tem a vantagem de analisar indicadores que outros não abordam: a vontade política (o gasto público e a gratuidade da educação) e a situação dos sindicatos, por exemplo.

Vernor Muñoz – que apresenta um informe a cada ano ao Conselho de Direitos Humanos da ONU – afirmou que, apesar dos avanços desde Dakar, ainda há muitas pessoas sem acesso à educação: 80 milhões de crianças e 750 milhões de adultos, em todo o mundo. "Desde 2004 pude constatar que, apesar de existirem normas consistentes para regular o direito humano à educação, a educação ainda não é reconhecida como tal", disse.

Muñoz lembrou que ainda há graves violações do direito à educação das meninas – principalmente na África subsaariana e no sul da Ásia –, das pessoas portadoras de deficiências, dos povos indígenas e das populações migrantes. "A exclusão tem várias causas, mas a ausência de políticas públicas fundamentadas na questão dos direitos humanos é uma questão central", afirmou o relator.

Liberdade de expressão

A Apeoesp e as ONGs Ação Educativa e Artigo 19 entregaram ao relator um dossiê com denúncias sobre o cerceamento da liberdade de expressão de professoras e professores da rede pública do Estado de São Paulo. Vernor Muñoz se disse surpreso com a existência da lei e declarou que deve escrever uma carta em breve ao governo brasileiro pedindo esclarecimentos sobre a questão. "Espero que tenhamos uma resposta a tempo de incluir esse assunto no relatório que estou produzindo", afirmou Muñoz.

Leia mais sobre o dossiê no Boletim Faísca nº 36

Ação Educativa 

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